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A MÚSICA NA REFORMA PROTESTANTE

Foto do escritor: ibbrooklinsp
ibbrooklinsp
há 19 horas
3 min de leitura

Porque a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: “O justo viverá por fé.” (Romanos 1:17)


No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero fixou na porta igreja de Wittenberg, na Alemanha, suas 95 teses, um marco que representou o estopim de um movimento liderados por Jan Huss (1369-1415), Tomás de Kempis (1379-1471) e Eramo de Rotterdam (1467-1536). O movimento reformador foi um fenômeno complexo, envolvendo toda uma nova cosmovisão e produzindo amplas consequências para todas as áreas da vida e da cultura. Os ensinos e os desdobramentos oriundos deste fato são inúmeros e não caberiam neste pequeno texto, porém desejo aqui expor brevemente o impacto da reforma protestante no culto e, por extensão, na música da igreja. Lutero teve boa educação musical. Cantava, tocava flauta e alaúde. Portanto, Lutero tinha uma sólida formação teológica, musical e litúrgica. Para ele, depois da teologia, a música tinha o mais alto lugar e a mais elevada honra. Para ele, a música não era apenas um belo ornamento a ser usado nas festas da igreja; era um ingrediente essencial na vida intelectual e espiritual.


No prefácio ao hinário Wittenberguense de 1524, Lutero escreve que Paulo “ordena aos colossenses que cantem com vontade ao Senhor hinos e salmos, para que desta maneira a Palavra de Deus e a doutrina cristã sejam propagadas e exercidas das mais diversas formas”. Essa simples frase pode soar um tanto quanto óbvia para os nossos ouvidos contemporâneos, pois é uma aplicação direta do texto bíblico (Colossenses 3:16), porém era disruptiva da prática católica por séculos. À época, apenas o clero (padres e outros representantes da igreja) participava ativamente do culto a Deus e, este culto, era realizado em latim, língua oficial da igreja, de pouca circulação entre o povo comum. Lutero, portanto, contribuiu para a restauração da utilização do canto congregacional, enfatizando outro grande ensinamento da reforma: o sacerdócio de todos os crentes. Assim, os dirigentes da celebração não são os únicos “atores” do culto, mas toda a congregação, e a única plateia esperada é a pessoa de Deus. O culto a Deus, portanto, exige a participação de todos os presentes.


A música foi um grande instrumento utilizado pelos reformadores para instruir o povo nas doutrinas da graça. Lutero traduziu e revisou o conteúdo de músicas que eram cantadas na igreja, mas também compôs hinos originais, como o famoso “Castelo Forte é nosso Deus”, que está tanto no Cantor Cristão (323) quanto no Hinário para o Culto Cristão (406), ambos hinários batistas. Lutero também fez várias versões dos Salmos que, ao longo dos séculos, inúmeras gerações de cristãos têm sido instruídas e edificadas por essas composições, utilizando-as também para o seu propósito mais elevado, que é louvar, exaltar e glorificar o supremo Deus. No Brasil, com o expressivo crescimento do movimento evangélico, foi imensa a produção hinológica na forma de hinários, composições para corais e, posteriormente, cânticos de adoração afinados com a musicalidade nacional.


Neste ano, quando completa-se 509 anos deste movimento que revolucionou a prática eclesiástica da igreja cristã, precisamos nos perguntar: Estamos usufruindo, de todo coração, dos benefícios conquistados a partir do sangue e da dedicação de tantos homens de Deus? Estamos continuando a obra de tornar acessível e compreensível a mensagem de salvação aos corações contemporâneos, a partir da música executada em nossas celebrações? Que o Senhor nos ajude, nos dê sabedoria e discernimento espiritual e cultural para cantarmos até a volta de Jesus, que: “O justo viverá pela fé”!



Pr. Raphael Brasilio

Equipe Pastoral da Igreja Batista do Brooklin

 
 
 

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